Fanny Merkin - Cinquenta Vergonhas de Cinza

Cinquenta Vergonhas de CinzaEditora: Novo Século
Nº de Páginas: 251
Ano: 2013
Avaliação: 
Skoob
Empurro a porta aberta e tropeço na barra das minhas calças de ginástica largas num movimento rápido e desajeitado. Enquanto tombo na direção do chão, meu corpo, por reflexo, aciona o modo ginasta. Largo a mochila e o notebook, estendo meus braços e viro uma estrela. Com o impulso conseguido com o tropeção, completo três estrelas antes de aterrissar em pé… em cima da mesa do Sr. Grey! Fico tão envergonhada com minha falta de jeito que fecho os olhos...


Eu tenho um sério problema com livros derivados de outros, sejam paródias ou fanfics!
Mesmo com autorização do autor, para mim, quem tenta vender algo aproveitando-se de um título conhecido não merece sequer um olhar mais atencioso!! Afinal, isso significa que não é bom o suficiente para conseguir um destaque próprio!
Ironicamente, Cinquenta Tons de Cinza era inicialmente uma fanfic de Crepúsculo. E quem leu as resenhas que fiz para os três livros, sabe que mais que amei-os! E foi uma verdadeira surpresa quando recebi há alguns dias, da Novo Século, Cinquenta Vergonhas de Cinza, a controversa paródia que já dava o que falar nas redes sociais antes mesmo de seu lançamento no Brasil.
Pelos mesmos motivos que vocês já sabem, não incluí o livro na minha lista de leituras futuras imediatamente. Posso encarar paródias numa boa em quaisquer outros meios de entretenimento, mas, estranhamente, não em livros! Seria como ler, ao invés de ver, a famosa franquia de comédia Todo Mundo em Pânico! Ou seja: estranho e sem graça alguma!
Mas tudo bem... Alguns leitores do blog me encorajaram a ler o livro e cá estou. E quais são meus pensamentos a respeito de Earl Grey e Anna Steal? Hum... Deixe-me ver. Anna tem claramente uma mente retroativa, responsável por maior parte do humor da trama. Earl aparenta ser mais rico que sua versão anterior, é um vampiro que brilha e, de acordo com a Fanny, é quase uma réplica do Robert Pattinson... Ambos formam um casal de apaixonados irreal: Earl é um completo nerd viciado em jogos de RPG envolvendo sexo e o fã nº 1 do Tom Cruise, e Anna é uma virgem nada recatada que se mete nas mais improváveis trapalhadas.
Admito que a autora foi inteligente ao jogar não só com Cinquenta Tons, mas também Crepúsculo! Eu apenas gostaria que ela tivesse utilizado um humor mais irônico, ao invés de apelar para as risadas fáceis em situações incabíveis, como quando Anna sofre um acidente de carro e cai no Pacífico, e Earl drena o oceano para salvá-la, ou a cena de sexo nas costas de um kosmocerátops numa viagem ao Jurassic Park particular do milionário.
Cinquenta Vergonhas de Cinza é bizarro, com um leve toque de humor aqui e ali, mas não me fez dar gargalhadas a ponto de fechar o livro para recuperar o fôlego. Respeito o trabalho da Fanny e da Novo Século, mas ainda não fui dobrado! Sou e sempre serei contrário à venda, atenção à palavra venda, de paródias ou fan-fics.